A discrepância bíblica é uma prática muito comum dentro e fora das igrejas, independente de denominações. É incontável o número de pregadores que pregam a Palavra de Deus, em total desacordo com o que a Bíblia estaria querendo realmente dizer.

Diversificado é o motivo porque pregam: desconhecimento, negligencia, vivacidade, e  ainda, proveito próprio, quando no caso de o pregador pertencer a indústria da picaretagem espiritual, onde a Bíblia é a ferramenta principal do chamado e reconhecido, evangelho utilitário.

Aqui, de forma específica, aborda-se a discrepância motivada pelo desconhecimento, e esta, em cima do episódio bíblico da coluna e da nuvem, constante no livro de Êxodo, no qual, a maioria dos pregadores, quando abordam esse tema, mostram nitidamente que são leitores bíblicos não investigativos. Todos por uma mesma voz pregam suas considerações e não o que está realmente escrito.

Para o acontecimento da coluna e da nuvem que guiava o povo na peregrinação, é comum a pregação que a nuvem foi enviada por Deus, para durante o dia proteger o povo do calor, à noite, o povo era protegido contra o frio pela coluna de fogo. Em resultancia, esses ensinamentos enraizaram-se na mente pouco investigativa da igreja, e ficou considerado como informações fidedignas. Dentro do sentido original bíblico, não se encontra o mínimo de indícios, que venham comprovar que a nuvem protegia contra o calor e a coluna de fogo contra o frio.

O que o livro de Êxodo mostra nítida e transparentemente é um grande mistério contido nesse acontecimento da coluna e da nuvem, os quais devem ser vistos como reafirmação do cumprimento da promessa de Deus a Abraão, quase cinco séculos atrás, quando Deus prometeu guiá-lo até a Terra Prometida, selando o pacto apresentando-se como coluna de fogo, e esta, representando, naquele momento, o empenho de sua Palavra.

E sucedeu que, posto sol, houve escuridão; e eis que um forno de fumo, e uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades.

 

Naquele mesmo dia fez o Senhor um conserto com Abrão, dizendo: Á tua semente tenho dado esta terra, desde o rio Egito até ao grande rio Eufrates. (Ge. 15:17,18)

 

Essa mesma coluna, que representou o empenho da palavra de Deus a Abrão, reaparece agora no livro de Êxodo, desta feita como guia do povo, que após quatro séculos e anos, não conseguiria chegar à terra prometida se não houvesse um guia, e conseqüentemente, esse guia, segundo o propósito de Deus, seria nada mais que o instrumento do pacto.

O próprio Moisés não saberia o caminho, se a nuvem e a coluna não o guiassem. Os indícios bíblicos narram que: Saindo a nação de Israel do Egito rumo a Canaã, Deus determinou que a nuvem e a coluna lhes servissem de guia.

Durante o dia a nuvem, e a noite a coluna de fogo, caminharia nas alturas do céu, a frente da enorme multidão, para que Moisés tivesse noção de onde seria Canaã, e quando houvesse necessidade de acampamento, a nuvem parava de caminhar, estacionaria naquele determinado lugar, durante dias, meses, ou anos, ficando pairando acima da tenda da congregação, até ao dia de levantar acampamento. Quando ela se mexia dando sinal de preparação para partida.

Com o mexer da nuvem era dado, pelo toque do shofar, o sinal de reajuntamento do povo, espalhados a quilômetros uns dos outros, e a nuvem se alçava, mas continuava parada enquanto a tenda era desmontada, e logo depois a nuvem recomeçava a peregrinação.

Assim partiram de Sucote, e acamparam em Etã, á entrada do deserto.

 

E o Senhor ia adiante, de dia numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo, para os alumiar, para que caminhassem de dia e de noite. (Ex.13:20,21)

Observe-se que os escritos bíblicos, não dizem que esses instrumentos divinos eram para proteger do calor e do frio, como consideram grande número de pregadores.

Ainda por cima, acrescente-se a impossibilidade de uma enorme multidão, caminhado espalhadamente a quilômetros, uma tribo da outra, seria necessária uma nuvem  no tamanho de uma cidade, para proteger um povo que passou sua vida escrava sobre o sol causticante do Egito.

Contrário a necessidade de proteger o povo a Bíblia mostra clara e nitidamente que a nuvem não passava de tamanho suficiente para cobertura do tabernáculo.

 

E, no dia de levantar o tabernáculo, a nuvem cobriu o tabernáculo sobre a tenda do Testemunho; e, à tarde, estava sobre o tabernáculo como uma aparência de fogo até à manhã.

 

 Assim era de contínuo: a nuvem o cobria, e, de noite, havia aparência de fogo.

 

Mas, sempre que a nuvem se alçava sobre a tenda, os filhos de Israel após ela partiam; e, no lugar onde a nuvem parava, ali os filhos de Israel assentavam o seu arraial.”

 Segundo o dito do SENHOR, os filhos de Israel partiam e segundo o dito do SENHOR assentavam o

 arraial; todos os dias em que a nuvem parava sobre o tabernáculo, assentavam o arraial.

 

E, quando a nuvem se detinha muitos dias sobre o tabernáculo, então, os filhos de Israel tinham cuidado da guarda do SENHOR e não partiam.

 

E era que, quando a nuvem poucos dias estava sobre o tabernáculo, segundo o dito do SENHOR, se alojavam e, segundo o dito do SENHOR, partiam.

 

Porém era que, quando a nuvem desde a tarde até à manhã ficava ali e a nuvem se alçava pela manhã, então, partiam; quer de dia quer de noite, alçando-se a nuvem, partiam.

 

Ou, quando a nuvem sobre o tabernáculo se detinha dois dias, ou um mês, ou um ano, ficando sobre ele, então, os filhos de Israel se alojavam e não partiam; e, alçando-se ela, partiam.

 

Segundo o dito do SENHOR, se alojavam e, segundo o dito do SENHOR, partiam; da guarda do SENHOR tinham cuidado, segundo o dito do SENHOR pela mão de Moisés.

 

 

No capitulo 10:11,28 de números encontram-se os relatos exatos de como sucedeu a partida do povo dividido em tribos representados por bandeiras para identificação dos arraiais de cada tribo.

É bom que se observe que eles não partiram desordenadamente como um só aglomerado de gente, e sim de forma paulatina, organizadamente uma tribo após a outra. Desta forma, note-se a impossibilidade de a nuvem cobrir todos ao mesmo tempo.

Resume-se, portanto, que a afirmação de a nuvem e a coluna terem sido proteção contra o calor e o frio, é realmente uma das muitas discrepâncias bíblicas.

Observe-se que os escritos bíblicos, não dizem que esses instrumentos divinos eram para proteger do calor e do frio, como consideram grande número de pregadores. Ainda por cima, acrescente-se a impossibilidade de uma enorme multidão, caminhado espalhadamente a quilômetros, uma tribo da outra, seria necessária uma nuvem  no tamanho de uma cidade, para proteger um povo que passou sua vida escrava sobre o sol causticante do Egito.

pedrosacelio@hotmail.com

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