Dentro da religiosidade do povo de Israel, é pensamento unânime, recebido dos ensinos da Tradição Judaica, ter como as maiores dádivas de Deus para com eles, três relíquias observadas como sublimidades sagradas: O Templo, a Cidade de Jerusalém, e os Rolos Sagrados da Torá.

Nessa mesma linha de pensamento comum, era inclusa a concepção que as Sagradas Escrituras como instrumento do culto judaico, não poderia em hipótese alguma, segregar-se do seu sentido sagrado somente reconhecido no idioma hebraico.

Observado sobre o  ponto de visto religioso e étnico, o hebraico é a identidade lingüística única e exclusiva de Israel, enquanto a Torá, no seu composto completo: Lei (Torá), os Proféticos (Neviim) e os demais escritos (Ketuvim) era privilégio único e exclusivo de Israel, na mesma proporção que Israel, nesses escritos, é declarado povo exclusivo de Deus.

(Dt. 4:7, 8)
“Que nação há tão grande, que tenha deuses tão chegados assim como o Senhor nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? Que gente há tão grande que tenha estatutos e juízos tão justos como toda essa lei que hoje dou perante vós”.

A Torá (ou o Rolo Sagrado) como instrumento do culto judaico, conta em sua história, duas fases distintas para uma mesma função. Uma, antes do cativeiro babilônico, e outra pós cativeiro.

Na primeira, antes da destruição do Templo, construído por Salomão, ela era o objeto melodioso do culto. As oferendas de sacrifícios, era o ofício do altar, embalado por canções dos salmos de Davi, onde solenemente Israel expressava sua devoção para com seu Deus.

A segunda, é a fase pós-exílio babilônico, quando começa a drástica mudança no estilo litúrgico e na forma de adoração.

O fim do cativeiro na Babilônia representou para Israel a liberdade ao preço da perda de duas das três relíquias que Deus lhes concedera: O Templo, e a Cidade de Jerusalém, restando apenas a Torá como herança.

Sem o Templo as oferendas e o ofício de sacrifícios cessaram, mas foram substituídos pelo ofício do coração no uso dos textos Sagrados da preservada Torá, como sacrifício voluntário agradável a Deus, praticado nas sinagogas, as quais, foram tomando o lugar do Templo.

O título Rolo Sagrado dado ao conjunto de livros da Torá, tem origem no seu composto, por tratar-se de muitos pergaminhos agrupado uns aos outros ligados por roletes metálicos, os quais, cada um independentemente é chamado, (atsê chayim= Arvore da Vida), nome também usado para referir-se a toda Torá.

Dentro do sentido original hebraico a Torá propriamente dita, compreendia apenas os cinco livros de Moisés, reconhecido e chamado de Lei Mosaica. Esse quinteto literário recebeu na expressão hebraica o tratamento nominal, (Chumash) e na grega, (Pentateuco).

Evidentemente, com o passar do tempo, a nominação Torá passou a ser usada para dar sentido titular a todo o conjunto de livros das Escrituras Hebraicas.

O Rolo Sagrado, no seu composto total, era uma obra exclusiva do sacerdócio levita como fiés depositários, até então a destruição do primeiro Templo em (586 a.C), e o estabelecimento de muitas sinagogas nos mais variados lugares do oriente.

A partir da liberdade do cativeiro, o Rolo Sagrado conta uma nova história e toma um novo rumo, sem perder sua autenticidade nem o seu valor Sagrado. 

Por motivo do surgimento cada vez mais de novas sinagogas ele teve que ser reproduzido em muitas cópias, para atender as necessidades religiosas dos judeus dispersos.

Esse referido processo de reprodução da Torá, (desta feita como objeto de estudo, em lugar de instrumento de culto) compreende o período entre a destruição do primeiro Templo e a reconstrução do segundo, nos tempos de Edras e Neemias, quando os originais voltaram a sua função cultual e o novo Templo deu o devido lugar de repouso a Torá.

Após a reconstrução do segundo Templo, a Torá continuou e estabeleceu-se nas sinagogas como obra de estudos, e as sinagogas não mais perderam a sua função de substituição ao Templo, assumindo de forma especial, uma nova função como, Casa de Reunião (Bet Knesst), e com o passar do tempo estabilizou-se como Casa de Estudo (Bet Midrash)

A fiel reprodução dos textos Sagrados para compor uma nova Tora era obra exclusiva dos escribas judeus, amantes das escrituras, a ponto de morrer por elas, por isso, o caráter fidedigno destas obras era bastante confiável, e havia ainda, critérios específicos para corrigir possíveis falhas.

Em caso de falha pelo erro de uma palavra no texto, todo o manuscrito era anulado, enquanto que, qualquer falha no nome de Deus, esse manuscrito morria, e teria que ser enterrado.

Concordantemente, os judeus depositavam nessas cópias o mesmo amor e o mesmo valor como Obra divina

Cada sinagoga, particularmente, tinha a sua própria Torá, e esta, depois de aprovada, teria que ser consagrada e depositada em uma arca coberta com um véu, simbolizando a ação de Moisés com as Tábuas da Lei.

(Ex 40:21)
E levou a arca ao tabernáculo, e pendurou o véu da cobertura, e cobriu a arca do testemunho, como o Senhor ordenara a Moisés.

No sentido reverencial, sua leitura nas sinagogas, só poderia ser feita por meio de ritual previsto e por pessoas exclusivas para este ofício ( baal corê= leitor da Torá).

Em casos específicos, pessoas visitantes, escolhidas pelos líderes das sinagogas recebiam convites para lerem determinados trechos (apenas) dos proféticos, lidos aos sábados. Esse convite em público era uma (honra= aliyá),

O convidado não poderia beijar o livro e nem tocá-lo com as mãos. Ritualmente, a reverência do beijo, era feita no manto que cobria a Torá, ou no chalé de orações (talit), enquanto o toque com os dedos nos manuscritos era feito por meio de um indicador metálico (iad) substituto das mãos,

Ao longo dos séculos, a Torá constitui-se o objeto mais Sagrado e soberano da vida judaica, e como símbolo dessa realeza recebeu uma coroa como adorno, cujo valor estava acima de qualquer coroa representante da realeza terrena, tanto dos reis como dos sacerdotes, por ela ser a coroa da Lei de Deus, cujo nome significativo em hebraico era: (Keter Torá).

Resume-se que, sem sombra de dúvidas a história judáica mostra ser a Torá uma herança dada por Deus ao seu amado povo Israel.

pedrosacelio@hotmail.com

 

 

 

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