Antes crescei na graça e no conhecimento de Nosso
Senhor e Salvador Jesus Cristo. (II PE. 3:18)

Antes de qualquer comentário referente a essa admoestação Petrina, é de suma importância, para o que a matéria quer apresentar, chamar a atenção do leitor que, o apóstolo Pedro neste versículo, mostra nítida e transparentemente que a Graça de Deus como dom gratuito não é uma coisa estática, ou seja, uma porção dada uma única vez e sem condição de avolumar-se.

Pedro mostra claramente que a Graça não é uma porção dada como um objeto padrão a cada pessoa, e que essa Graça concede o direito automático da Salvação independente do estilo de vida ou profissão de fé, como uma espécie de predestinação baseada na Graça.

A teoria da Graça estática como salvação direta a toda humanidade é a proposta principal e fundamental da salvação católica dentro dos diversos ramos de  fé católica, no que compreende os catolicismos, romano, anglicano episcopal, ortodoxo, e mais algumas correntes de fé oriundas da ramificação católica.

Para o catolicismo romano, por exemplo, a Graça de Deus concedida a toda humanidade, representa a salvação, como prêmio do Amor de Deus a todos os povos, independente  de modelo de vida em Cristo como também de expressão de fé.

É com base nisso que o catolicismo romano defende o dogma da salvação, que afirma: Fora da Igreja Católica Apostólica Romana, não há salvação.

Fundamentada na teoria Agostiniana,  a salvação católica romana defende e ensina teologicamente que a salvação é um dom gratuito de Deus, e esta é obtida por meio da fé.

Observando-se essa teologia pela ótica Bíblica, o conceito católico está realmente dentro dos ensinamentos Bíblicos. Entretanto, esse conceito analisado dentro da visão católica, a coisa é outra, por motivo dos ensinos católicos redirecionarem a fé para salvação, em lugar de Cristo, para a fé nos ensinos católicos.

Conclui-se que a salvação católica, tem como verdade absoluta de fé reconhecida em dogma que a Salvação é a Graça de Deus dada a todos os homens e mulheres, e este dom só se adquire através da fé, mas da fé católica, ou seja quem não expressar a fé católica apostólica romana a qual inclui obediência ao Papa, está excomungado e separado do corpo de Cristo presente exclusivamente na missa.

Concordantemente, a fé para a salvação está atrelada na fé nos dogmas e não a fé em Cristo

Dentro desse castigo, de excomungação por rejeição aos ensinos católicos estão todos os outros ramos católicos e as religiões protestantes, por não aceitarem a fé que substitui Cristo.

Concorde-se ser a fé nos ensinos católicos a suficiência para a salvação, e que a Graça é estática, e sem crescimento no coração de Deus.

Voltando palavras do apóstolo Pedro e comentando dentro da visão estritamente pastoral petrina, observa-se que tanto a graça como o conhecimento não são estáticos, e que é o conhecimento pela busca nas Escrituras que contribuem para se crescer na Graça.

Sendo Jesus Cristo o mesmo ontem hoje e sempre, por toda a eternidade, e a sua Palavra e os seus Ensinamentos imutáveis, essa proposta  de Pedro: “Antes crescei na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”.  Continua sendo o ponto de firmeza para a caminhada espiritual, tanto do novo convertido, como da pessoa já domesticada na fé.

O conhecimento divino leva a pessoa diretamente a celestialidade culminando prontamente na intimidade com Deus, por meio da fé em Jesus Cristo através do Espírito Santo.

É de suma importância para o ser humano, a busca do conhecimento no concernente a Deus, por ser isto, um desejo intrinsecamente ligado a sua alma, e toda alma vivente, anela conhecer o transcendental.

Os grandes pensadores da antiguidade dão prova disso, embora buscassem esse conhecimento dentro da capacidade pensadora pelas vias da filosofia. Sócrates, Platão, Agostinho, e até Pilatos, segundo a Bíblia, no livro de João (18:38) era um buscador das verdades não reveladas, mas isso,  por meio da filosofia, a qual os pensadores admitiam ter resposta pra tudo, concordavam na ciência filosófica como sendo: A fórmula única e universal no processo da suficiente e  perfeito de indagação para obtenção da resposta correta  de todas as coisas.

Na concepção do pensador plantonista Apuleio, o conhecimento geral dos princípios e causas das existências era um fator necessário para se alcançar a Deus.

Evidentemente, na teoria de Apuleio, também defendida pelo pensador católico Agostinho, o homem sábio, após a morte, tinha acesso direto ao céu.

Chegando a plenitude dos tempos, Deus por meio dos apóstolos veio dissolver e confundir todas essas vãs teorias com a implantação do evangelho, embasado na sobrenaturalidade do conhecimento da ciência divina, concedida somente aos seus escolhidos.

A exortação do apóstolo Pedro pela busca do conhecimento divino, foi direcionada naquela época, (anos 60 d.C) aos judeus cristãos (estrangeiros) dispersos no mundo inteiro. Nítida e claramente é a intenção de Pedro, querer mostrar, tanto aos seus destinatários, como aos crentes de hoje, em especial aos novos convertidos, que a salvação não está sujeita ao conhecimento divino, mas que esse conhecimento é de suma importância, e que o cristão deve crescer nele, na mesma proporção que cresce na Graça, porque é nele que está a firmeza da fé, e não na Graça.

Pedro mostra que a pessoa mesmo estando na Graça, pode ser dissuadida da sua fé e ser enganada, e pela falta desse conhecimento descair da sua firmeza.

“Vós, portanto, amados, sabendo disto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais arrebatados, e descaiais da vossa firmeza. ( II Pe. 3:17)

Célio Pedrosa

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